Segurança do paciente: fator essencial para melhoria na assistência à saúde

23 de junho de 2020

Todos os anos de estudo e experiência de um profissional da área proporcionam mais chances da aplicação de um tratamento certeiro para o paciente. No entanto, a  medicina está longe de ser uma ciência totalmente exata, por isso, o paciente sempre será uma variável para o profissional de saúde. Como vários profissionais farão o atendimento para um mesmo paciente, algumas falhas podem acontecer durante este processo. Seria uma relação de causa e consequência completamente natural se considerarmos qualquer outra profissão – já na assistência à saúde, por outro lado, essas possíveis falhas podem causar danos irreversíveis.

O panorama dos eventos adversos  no Brasil e no mundo

No que você pensa quando ouve o termo evento adverso? Muitos relacionam a expressão a descuido ou decisões erradas envolvendo cirurgias de alta complexidade, como nas telas de cinema. É preciso entender, no entanto, que o evento adverso é muito mais que isso. Segundo a OMS, eventos adversos são incidentes não intencionais que resultam em danos decorrentes da assistência e não relacionados à evolução natural da doença de base do paciente. Uma dose maior ou menor de insulina em um paciente diabético, por exemplo, pode causar complicações significativas a ele, podendo inclusive levá-lo à morte. O fato de uma criança contrair uma infecção hospitalar sem que nenhum profissional, envolvido no cuidado deste paciente, tenha falhado em algum momento, também é considerado um efeito adverso.

O Instituto Brasileiro de Segurança do Paciente, o IBSP, ainda em 2015, estima que um em cada 10 pacientes sofrem algum dano, ou seja, anualmente esse número chega a 1,7 milhão de pessoas que sofrem algum tipo de evento adverso. Entre esses eventos, está a prescrição ou administração de medicamento de forma errada, lesão por pressão, infecção pós-operatória e não conferência da identificação do paciente. 

 

O mais preocupante é que 220 mil pessoas morrem, todos os anos, devido a eventos adversos. Este número é maior que os óbitos causados pelo HIV, por acidentes de carro ou pelo câncer de pulmão ou mama. 

Apesar dos números expressivos, nenhum profissional da saúde visa algo além da saúde do paciente, vários outros fatores influenciam diretamente, como alta demanda, cansaço e estresse. Exatamente por isso, muitos desses eventos adversos são evitáveis. Mas, no dia a dia, há um fator que auxilia no crescimento desses dados: o sistema de saúde é complexo e com o surgimento de novos tratamentos, tende a ficar ainda mais complicado. Por isso, quando não é bem organizado, pode resultar em falhas irreversíveis. 

 

O NSP

Apesar da estimativa do IBSP ser relativamente recente, esta realidade não é. É por isso que, desde 2004, a Organização Mundial da Saúde (OMS), prevê ações obrigatórias de segurança do paciente, que resultou, em 2013, no Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP) da Anvisa e na criação do Núcleo de Segurança do Paciente (NSP) pela RDC nº36/2013.

Por meio da obrigatoriedade da existência do NSP, em todas as instituições de assistência à saúde, espera-se que hospitais adotem medidas que coloquem sua equipe num patamar de qualidade estimado em 6 pontos previstos pela OMS e traduzidos pela Anvisa, visando minimizar os riscos de ocorrência de falhas assistenciais. São eles:

  1. Identificar corretamente o paciente;
  2. Melhorar a comunicação entre os profissionais da saúde;
  3. Melhorar a segurança na prescrição, no uso e na administração de medicamentos;
  4. Assegurar cirurgias em locais de intervenção, procedimentos e pacientes corretos;
  5. Higienizar as mãos para evitar infecções;
  6. Evitar o risco de quedas e úlceras por pressão.

Estas seis medidas foram criadas de acordo com a classificação de Incidentes feitas pela International Classification for Patient Safety (ICPS), e visam que os incidentes que resultam em eventos adversos sejam minimizados ao máximo:

  • Com Dano ao Paciente ou Evento Adverso
      • Leve: Consequência sintomática, mas com dano leve, recuperado em curto prazo
      • Moderado: Consequência que acarreta em intervenção médica e no alongamento da internação do paciente, que pode perder funções.
      • Grave: Dados ao paciente onde é necessária a intervenção médica para salvar a vida do mesmo, incluindo ou não internação em leito de alta complexidade com danos graves ou irreversíveis.
      • Morte: Óbito do paciente decorrente de evento adverso.

 

    • INCIDENTE:
      • Near Miss (falha de processo identificada antes de atingir o paciente)
      • Sem Dano (incidente que afeta o paciente, mas não causa danos)

 

Mas, como assegurar que as seis práticas adotadas pela OMS podem evitar tais erros, e como aplicá-las com eficácia?

Processos práticos

Os seis princípios que visam a saúde e segurança do paciente e evitam as possibilidades de eventos adversos e podem ser acompanhados e  monitorados por meio de auditorias do cuidado, ou seja, visitas ao paciente à beira leito.

Isso não significa que os profissionais de saúde dos próprios hospitais não são capacitadas para tanto. Mas, o olhar de uma equipe especializada apenas na segurança do paciente é um grande diferencial quando se busca a adoção de medidas que elevem o padrão de segurança e qualidade do ambiente hospitalar.

É pensando nessa realidade que a Qualirede oferece um pacote de opções que podem trazer mais segurança para milhares de beneficiados por planos de saúde e mais qualidade no atendimento para inúmeros hospitais do Brasil.

Diante deste cenário, surge o campo de trabalho intitulado “Segurança do Paciente”, que é considerada a mais importante dimensão quando se fala em qualidade na assistência à saúde. Por Segurança do Paciente entende-se tudo aquilo que é estudado e aplicado na prática para que os riscos desses danos desnecessários diminuam até um nível aceitável, ou até mesmo que haja eliminação destes riscos.  Outra forma de garantir a segurança do paciente é manter um monitoramento do mesmo de maneira efetiva e constante. Mais que assegurar que o indivíduo está recebendo atenções técnicas (seu leito é confortável? Está recebendo todas as refeições diárias?), o acompanhamento intensivo de uma equipe multidisciplinar é essencial para avaliar a possibilidade de alta segura: quando mais cedo o paciente se recupera, mais cedo poderá sair do hospital, evitando os riscos de infecções hospitalares e outras complicações. 

Sendo assim, é importante deixar claro que a finalidade das ações de segurança do paciente, sejam elas quais forem, visam a identificação de possíveis falhas, não como forma de exposição de punição, mas sim como casos reais onde é possível identificar falhas e corrigi-las. Isso garante a segurança para o paciente, aprimora a equipe e eleva o patamar do prestador de saúde como referência de qualidade e cuidado.

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    1 comment

  • IRACI LEMOS PIMENTA 23 de junho de 2020
    Reply

    Excelente artigo!
    A implantação de protocolos, processos, politicas de segurança do NSP e, sensibilização e treinamento dos profissionais envolvidos será o diferencial para o sucesso da segurança do paciente.

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