Novembro Dourado: a importância da conscientização sobre o câncer infantojuvenil

23 de novembro de 2019
Novembro Dourado: a importância da conscientização sobre o câncer infantojuvenil

*Dra. Rita Ferrúa Oliveira, Especialista em Oncologia

*Natasha Georg, Assistente Administrativa do Núcleo de Custos e Especialidades

O dia 23 de Novembro é conhecido como o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantojuvenil, estabelecido através da Lei nº 11650 de 2008, e visa estimular ações educativas associadas à doença, promover debates e outros eventos sobre as políticas públicas de atenção integral às crianças e adolescentes com câncer, além de divulgar os avanços técnico-científicos da área. Marcando a data, ocorrem uma série de atividades, no chamado “Novembro Dourado”, quando o laço simboliza consciência sobre o câncer infantojuvenil.

Câncer infantojuvenil – diferente do câncer do adulto

O câncer infantojuvenil corresponde a um grupo de várias doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do organismo. Diferentemente do câncer do adulto, o câncer infantojuvenil geralmente afeta as células do sistema sanguíneo e os tecidos de sustentação como ossos e músculos. Por serem predominantemente de natureza embrionária, tumores na criança e no adolescente são constituídos de células indiferenciadas, o que, geralmente, proporciona melhor resposta aos tratamentos atuais.

Os tumores mais frequentes na infância e na adolescência são as leucemias (que afetam os glóbulos brancos), os que atingem o sistema nervoso central e os linfomas (sistema linfático).

Também acometem crianças e adolescentes o neuroblastoma (tumor de células do sistema nervoso periférico, frequentemente de localização abdominal), tumor de Wilms (tipo de tumor renal), retinoblastoma (afeta a retina, fundo do olho), tumor germinativo (das células que originam os ovários e os testículos), osteossarcoma (tumor ósseo) e sarcomas (tumores de partes moles).

Números

Assim como nos países desenvolvidos, no Brasil, o câncer infantojuvenil já representa a primeira causa de morte (8% do total) por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) calcula que aproximadamente 12.500 casos novos de câncer ocorram por ano em crianças brasileiras. 

Nas últimas quatro décadas, o progresso no tratamento do câncer na infância e na adolescência foi extremamente significativo. Hoje, em torno de 80% das crianças e adolescentes acometidos da doença podem ser curados, se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados. A maioria deles terá boa qualidade de vida após o tratamento adequado.

Fatores de risco

Ao contrário de muitos cânceres de adultos, os fatores de risco relacionados com o estilo de vida (como o tabagismo) não influenciam o risco de uma criança desenvolver câncer.

Muito raramente uma criança pode apresentar alterações genéticas que as tornem propensas a ter um certo tipo de câncer.

Nos tumores da infância e adolescência, até o momento, não existem evidências científicas que deixem claro a associação entre a doença e os fatores ambientais. Logo, prevenção é um desafio para o futuro. A ênfase atual deve ser dada ao diagnóstico precoce e à orientação terapêutica de qualidade.

Conheça algumas formas de apresentação dos tumores da infância:

  • Nas leucemias, pela invasão da medula óssea por células anormais, a criança se torna mais sujeita a infecções, pode ficar pálida, ter sangramentos e sentir dores ósseas.
  • No retinoblastoma, um sinal importante é o chamado “reflexo do olho do gato”, embranquecimento da pupila quando exposta à luz. Pode se apresentar, também, por meio de fotofobia (sensibilidade exagerada à luz) ou estrabismo (olhar vesgo). Geralmente acomete crianças antes dos três anos. Atualmente, a pesquisa desse reflexo pode ser feita desde a fase de recém-nascido.
  • Aumento do volume ou surgimento de massa no abdômen podem ser sintomas de tumor de Wilms (que afeta os rins) ou neuroblastoma.
  • Tumores sólidos podem se manifestar pela formação de massa, visível ou não, e causar dor nos membros. Esse sintoma é frequente, por exemplo, no osteossarcoma (tumor no osso em crescimento), mais comum em adolescentes.
  • Tumor de sistema nervoso central tem como sintomas dores de cabeça, vômitos, convulsões, alterações motoras, alterações de comportamento e paralisia de nervos.

Enxergue os sintomas do câncer infantojuvenil

  • Perda de peso
  • Manchas roxas, sangramento pelo corpo sem machucado
  • Vômitos acompanhados de dor de cabeça, diminuição da visão ou perda de equilíbrio
  • Caroço em qualquer parte do corpo, principalmente na barriga
  • Palidez inexplicada
  • Febre prolongada de causa não identificada
  • Crescimento do olho, podendo estar acompanhado de mancha roxa no local.

 

Referências:

https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-infantojuvenil

http://sobope.org.br

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