Gastos na saúde: Brasil aparece na lanterna no levantamento da OCDE

16 de dezembro de 2019
Gastos na saúde: Brasil aparece na lanterna no levantamento da OCDE

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE, publicou no início de novembro um relatório contendo diversos indicadores da área da saúde. Participaram do levantamento 44 países – os 36 membros da organização e mais oito, incluindo o Brasil. Dos dados apresentados, os que mais chamam atenção aqueles de gastos com saúde.

Segundo a Organização, o Brasil está na lanterna quando o assunto se trata de gastos em saúde per capita, seja no âmbito público ou privado. No ano passado, gastamos em média US$ 1.282 per capita em saúde, o que nos coloca na 37ª posição. O valor médio dos países da OCDE é de US$ 4 mil. A Índia configura a última colocação, com US$ 209 investidos por pessoa, enquanto o topo da lista pertence aos Estados Unidos, com mais de incríveis US$ 10 mil.

Investimentos em saúde em relação  ao PIB

Como já mencionado, quando se considera gastos per capita com saúde, o Brasil fica entre as últimas colocações da OCDE. Mas, quando o assunto é investimento percentual relacionado ao PIB, nossa situação fica melhor. 

Segundo a Organização, conseguimos dedicar em 2018 exatos 9,2% do PIB em investimentos na área da saúde, alcançando a 14ª posição. Isso nos coloca à frente de grandes economias como Itália, Espanha e Finlândia. Ultrapassamos, inclusive, a média de investimento de PIB em saúde dos países da OCDE, que é de 8,8% ao ano. 

A primeira colocação é, novamente, dos Estados Unidos, que desembolsa mais de 14% do PIB investidos na área da saúde, o que, ainda assim, não garante os melhores resultados em saúde.

Preocupações com o futuro dos gastos com saúde

Reconhecendo a situação dos baixos gastos com saúde per capita no Brasil, mesmo que o PIB se apresente com bons resultados, a perspectiva da OCDE não é positiva.

O foco do documento publicado pela organização é que nos próximos 15 anos, a verba aplicada em saúde deverá ultrapassar o crescimento do PIB, o que pode representar problemas para os gestores e usuários do sistema.

Como forma de controlar os valores investidos, a OCDE propõe o uso de medicamentos genéricos, dividir as responsabilidades entre médicos e enfermeiros e aumentar a segurança do paciente, uma vez que 5% das pessoas hospitalizadas, segundo o relatório acabam apresentando complicações durante o período de permanência no hospital.

Controlando os números

Mais do que as recomendações da OCDE, diversos outros posicionamentos podem ser adotados quando o assunto é controlar gastos com a saúde, garantindo o melhor cuidado. Como alternativa para tornar o investimento na área de saúde sustentável, a Qualirede busca encontrar o equilíbrio entre cuidar da saúde estimulando a prevenção,  o auto cuidado e cuidando dos doentes. Para Carolina Bairrão, Gerente de Informação em Saúde “Há pouco investimento em prevenção e com isso observamos aumento das doenças e consequentemente, dos gastos em saúde”. O primeiro passo para realizar este processo, ela explica, é analisar a carteira de clientes: “mapeamos o comportamento de utilização dos beneficiários, realizamos a classificação de risco, desenhamos e planejamos o melhor cuidado para cada grupo. Desta forma, identificamos os gargalos de desperdício para que as empresas ou operadoras de saúde possam agir de forma mais eficaz e estratégica”.

Em paralelo, com a implantação das clínicas de Atenção Primária de Saúde, as APS, conseguimos garantir a qualidade do cuidado prestado aos beneficiários e reduzir os gastos em saúde, pois proporcionamos um atendimento e tratamento mais adequado às necessidades do beneficiário. Nas clínica de APS o paciente se torna o centro da atenção, não se limitando apenas ao processo curativo. Isto é um cuidado personalizado: acesso e acompanhamento individual com médico de família e equipe multidisciplinar, o que possibilita um histórico completo do paciente.Portanto, adotamos o melhor cuidado para evita gastos e desperdícios.

A APS da Qualirede garante a resolução de 85% dos problemas de saúde das pessoas vinculadas, encaminhando apenas 15% para outros especialistas. Com o modelo de Atenção Primária à Saúde como porta de entrada e coparticipação como fator moderador, nossos resultados podem chegar à ordem de redução de 30% no custo.

A auditoria do cuidado, estratégia da Qualirede em busca das melhores práticas em auditoria, vai ao encontro das recomendações da OCDE sobre atenção ao paciente internado e na recomendação de como evitar reinternações. A auditoria do cuidado é a auditoria do futuro, onde o paciente está no centro do cuidado. Durante este processo, o paciente é visitado e sua segurança é avaliada. O aumento da segurança do paciente evita complicações e, consequentemente, desperdícios e reinternações. “Priorizar as pessoas é o diferencial da Qualirede”, sintetiza Carol Bairrão.

Expectativa de vida

Outro dado levantado pela OCDE é o aumento da expectativa de vida. À frente de países como Lituânia, México, Colômbia, Rússia e Letônia, o Brasil ainda possui um dos menores indicadores do estudo, com 75,7 anos em 2018. O Japão ocupa a primeira colocação, com uma expectativa de vida de 84,2 anos, em média. Destacamos aqui o peso da taxa de mortalidade infantil no Brasil  – 13,2 para cada mil nascimentos na nossa expectativa de vida. É a quinta pior do estudo, e bem acima da média de 3,5.

Ainda assim, houve uma melhoria sensível desse índice, quando consideramos o histórico de expectativa de vida no Brasil. Passamos de 59 anos em 1970 para 75 em 2017. Isso acende a questão não apenas para os custos em saúde, mas também para a necessidade de melhorias no sistema para se adaptar a uma população que, cada vez mais, envelhece e necessita de mais qualidade.

Quando consideramos tal realidade, os números já são perceptíveis. Segundo o Mapa Assistencial da Saúde Suplementar no Brasil entre 2013 e 2018 do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), as consultas médicas ambulatoriais e por especialidades aumentaram significativamente. Apenas com geriatras, entre o período analisado, o crescimento de consultas foi de 59,3%. Aqui, novamente esbarramos na questão de se gastar com doenças, e não com saúde. “É então que surge a necessidade da Atenção Integrada à Saúde – AIS”, pondera Carol sobre o serviço da Qualirede.

É por meio da AIS que realizamos, com diversas equipes, o acompanhamento do paciente no pós hospitalar, garantindo a alta segura. Também desenvolvemos ações de prevenção e gerência do cuidado de pacientes portadores de doenças crônicas. “Um diabético crônico, por exemplo, vai acionar o pronto socorro em diversas ocasiões, o que pode ser evitado pelo acompanhamento” comenta a Gerente de Informação em Saúde da Qualirede. 

Considerando essa realidade, nossos grupos altamente capacitados realizam o acompanhamento dos pacientes através de ligações e visitas domiciliares, assegurando que o tratamento seja realizado corretamente e intervindo em quaisquer eventualidades, antes que seja necessário acionar prontos socorros ou especialistas.

Altos gastos em saúde nem sempre correspondem a bons resultados com ótimas consequências. Esses e diversos outros serviços da Qualirede contribuem para o gasto em saúde consciente. Considerando a previsão da OCDE de que em 15 anos o gasto com saúde deve ser maior do que o crescimento do PIB, e entendendo o risco de que isto se concretize, tais opções se fazem extremamente urgentes para que a mudança do setor de saúde seja cada vez mais emergente e efetiva. 

Publicações recentes

    3 comments

  • Claidir Luis de Paoli 17 de dezembro de 2019
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    Muito interessante a abordagem. Entendo q o principal questionamento ao atual investimento em saúde não está no volume de recursos disponibilizados, mas sim à forma e motivação e gestão de sua utilização. Se utilizarmos com qualidade o recurso hoje disponibilizado, certamente teremos um resultado (que é o principal) muito melhor.
    APS é uma estratégia de qualidade, mas não se aplica a todo perfil de clientes. E tem um custo fixo alto. Se não ocorre uma efetiva mudança no modelo assistencial, tende a gerar os mesmos resultados financeiros. Os custos totais de planos com coparticipação sem AIS são muito próximos aod com AIS. Integrar as diversas iniciativas de gestão do cuidado patece ser a grande oportunidade de melhpria e, ao mesmo tempo, um grande desafio, pois na maioria das organizações, tais iniciativas goram concebidas e implantadas de forma isolada.

    • Pablo E. Vigneaux Wilton 22 de dezembro de 2019
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      Concordo, o percentual do PIB não é um indicador “definitivo” mas sim uma visão macro que alerta para uma investigação mais aprofundada. Mais importante do que o PIB é PIB per Capita o que para este caso indicaria o valor de investimento por cidadão, neste ponto podemos notar que a população do Brasil é de 202 milhões (estimada) e a dos EUA é de 332 milhões o que possui alguma correlação com o volume de recursos (PIB) investidos, claro que não é o único fator, por outro lado temos uma Finlândia com 5 milhões de habitantes… devido a isto é interessante olharmos o investimento per capita. Por último devemos seguir a linha do pensamento de Claidir e verificar onde é feito o investimento e com qual assertividade e eficácia, afinal não adianta ter um grande investimento onde boa parte pode ser gasta em altos salários e obras superfaturadas. O objetivo é sempre ter os recursos e utilizá-los da melhor forma possível para cobrir as necessidades.

  • Elieza Oliveira Leite 17 de dezembro de 2019
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    Excelente artigo!
    A Qualirede demonstra está no caminho certo para garantir a sustentabilidade e qualidade na gestão em saúde.
    Parabéns!

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