Diabetes Mellitus: a realidade por trás de uma das doenças mais comuns do Brasil

19 de novembro de 2019

Por Sandra Rocco, Coordenadora Médica e Núcleo de Custos e Especialidades da Qualirede

Neste dia 14, é promovido o Dia Mundial do Diabetes. A data foi criada em 1991 pela Federação Internacional de Diabetes (IDF, do inglês International Diabetes Federation) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Foi só a partir de 2007, entretanto, que se tornou oficial, com a aprovação da Resolução das Nações Unidas 61/225. A IDF  promove anualmente uma campanha para lembrar a data como um tema de saúde global, coordenando esforços, a nível mundial, sobre a importância de ações conjuntas para o enfrentamento do diabetes mellitus.

Diabetes Mellitus – o que é?

O diabetes é uma doença metabólica, cujo portador não consegue degradar moléculas de glicose corretamente ou em velocidade suficiente. Pode ser classificada como tipo 1 e 2. O diabetes mellitus tipo 1 (DM1) é uma doença autoimune, poligênica, decorrente de destruição das células β pancreáticas, ocasionando a deficiência completa da produção de insulina. É mais frequentemente diagnosticada em crianças, adolescentes e, em alguns casos, em adultos jovens, afetando igualmente homens e mulheres, e corresponde a 5 a 10% de todos os casos de DM.

Já o diabetes mellitus tipo 2 (DM2) corresponde a 90 a 95% dos casos de DM e está associada à perda progressiva de secreção da insulina combinada com a resistência insulínica. Geralmente o DM2 acomete indivíduos a partir da quarta década de vida, embora sua incidência venha aumentando em crianças e jovens. Possui etiologia complexa e multifatorial, envolvendo componentes genéticos e ambientais. Entre estes, destacam-se o sedentarismo e a obesidade.

Números

A Sociedade Brasileira de Diabetes estima que 13 milhões de brasileiros convivam com a doença. A taxa de incidência cresceu 61,8% nos últimos dez anos. O diabetes é uma epidemia global, e o Brasil ocupa o 4º lugar no ranking dos países com o maior número de casos, atrás apenas da China, Índia e Estados Unidos. Um levantamento da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), de 2017, ligada ao Ministério da Saúde, revela que o diagnóstico de diabetes aumentou 54% na população masculina entre 2006 e 2017, atingindo 7,1% dos homens adultos. Na população feminina o aumento foi de 28%, contudo, devido a fatores fisiológicos que as tornam mais propensas, as mulheres ainda são as principais vítimas da doença com 8,1%. O aumento do número de diabéticos pode estar estritamente ligado a um outro crescimento, o da obesidade: em 2025, o Brasil vai ser o quarto país em obesidade do mundo, encostado nos EUA, com 33 milhões de obesos.

Complicações

Pelo fato de o diabetes estar associado a altas taxas de hospitalizações, grande utilização dos serviços de saúde, bem como maior incidência de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, cegueira, insuficiência renal e amputações não traumáticas de membros inferiores, pode-se prever a carga que isso representará nos próximos anos para os sistemas de saúde de todos os países, independentemente do seu desenvolvimento econômico, tanto nos custos diretos para o sistema de saúde quanto para a sociedade, como nos custos indiretos atribuíveis à mortalidade prematura e a incapacitações temporárias e permanentes decorrentes de suas complicações.

Uma questão de gestão de saúde

Desse modo, é imprescindível a participação de todos os atores do sistema de saúde brasileiro, visto que é possível diminuir os índices do diabetes tipo 2 e preveni-lo, a partir da gestão populacional. Medidas como estímulo às práticas de educação alimentar, atividade física e perda de peso têm grande impacto positivo na história natural da doença. Nesse contexto, a Qualirede, como empresa gestora de saúde, oferece programas de Atenção Integral à Saúde, nos quais são desenvolvidas ações de gestão da saúde populacional, em todos os níveis de atenção, realizando campanhas educacionais, atuando na promoção da saúde (atividades coletivas, rodas de conversa, palestras, workshops, grupos terapêuticos, dicas de saúde e campanhas) e a prevenção do agravamento das doenças crônicas, além de realizar gestão de pessoas com doenças crônicas conforme a linha do cuidado.

A gestão de saúde populacional também pode ser realizada pelas Clínicas de APS (Atendimento Primário de Saúde), uma vez que trabalham fortemente para que as pessoas tenham mais conhecimento sobre as atitudes que ajudam a promover a saúde, pactuando com elas um plano de cuidado que as auxiliem a serem mais autônomas na aquisição de práticas saudáveis. Nas Clínicas de APS da Qualirede, o atendimento é multiprofissional e atualmente, possui resolutividade de mais 89% dos casos, diminuindo  a necessidade de encaminhamento para especialistas. No que tange ao DM, oferece tratamento individualizado conforme cada caso, orientações para prevenção das complicações e a reabilitação das limitações impostas pela doença.

Comprometida com seu propósito de fazer o que for preciso para levar mais saúde para mais pessoas, a Qualirede não poderia deixar de trazer a pauta à discussão desse tema de grande impacto na saúde e incentivar práticas que estimulem e apoiem a transformação do cenário atual do Diabetes Mellitus.

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