Confira como funciona e o que fazer para realizar gestão de dispositivos médicos implantáveis de forma eficaz, resultando em impactos positivos em toda a cadeia.

Os dispositivos médicos implantáveis, conhecidos pelas siglas DMI e OPME (Órteses, Próteses e Materiais Especiais), correspondem à grande parte do investimento dos planos de saúde e hospitais. Na reunião da Comissão de Cooperativismo das Entidades Médicas, do ano de 2014, em Brasília, foi constatado que durante um ano os gastos com estes dispositivos chegaram a 20, 5 bilhões no Brasil. Tais dados só reforçam a importância de buscar uma gestão de OPME / DMI eficiente.

A gestão de OPME / DMI envolve muito mais do que conhecer os impactos orçamentais desse investimento, englobando discussões acerca da sua nomenclatura, da utilização pelo paciente, da responsabilidade do comprador e do fornecedor em relação à qualidade do produto, dentre muitos outros pontos essenciais.

Diante disso, baseado nas recomendações da ANVISA, cumprindo todas as exigências e oferecendo segurança e garantias ao paciente, mostraremos de que maneira é possível fazer uma gestão eficiente, com impacto positivo para todos os envolvidos.

Continue acompanhando e entenda qual é o melhor caminho para gerenciar esses materiais indispensáveis na Saúde!

Como funciona a gestão de dispositivos médicos implantáveis?

O mercado de dispositivos médicos envolve um grande número de produtos e uma complexa rede de suprimentos. De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), são mais de 1,5 milhões de itens, classificados em cerca de 10 mil categorias diferentes. Cada uma dessas categorias demanda um tipo de comercialização, de acordo com suas características singulares.

No caso dos DMI’s, como stents, marca-passos e próteses ortopédicas implantáveis, entre outros, o caminho até o paciente requer uma série de exigências e cuidados que incluem desde o armazenamento até o transporte, bem como a manutenção de equipamentos e instrumentos essenciais para a sua implantação.

Além das questões relacionadas à performance dos produtos em si, há também uma grande preocupação com o preparo do corpo técnico que irá manejá-los. É preciso garantir que esses profissionais sejam treinados para lidar com esses dispositivos de maneira segura, bem como oferecer uma assistência pós-cirúrgica especializada.

Somado a todas essas questões, existe um fator que precisa ser considerado quando o assunto é OPME / DMI: a durabilidade destes implantes dentro do corpo do paciente, visto que a gestão dos mesmos, muitas vezes, finaliza no momento da cirurgia.

Em relação à durabilidade dos implantes, é importante considerar três fatores primordiais que irão interferir para que o dispositivo não perca a sua utilidade e acabe gerando sofrimento ao paciente em cirurgias de re-operações, aumentando desta forma os custos.

Fatores relacionados ao paciente: este paciente implantado deve sair da cirurgia orientado quanto ao tipo de prótese que faz uso bem como os cuidados necessários para sua manutenção;

– Fatores relacionados à qualidade do implante: as operadoras de planos de saúde e hospitais devem qualificar fornecedores / distribuidores, importadores e fabricantes de acordo com as legislações vigentes;

Fatores relacionados à técnica cirúrgica: a resolubilidade das equipes e o monitoramento das taxas de cirurgias de revisões de implantes é fundamental para este controle.

Nessa dinâmica de gestão estão envolvidos diferentes personagens, na qual cada um deles possui sua responsabilidade. Veja quem são os envolvidos na gestão de DMIs:

Fabricante

Ao fabricante, compete as seguintes responsabilidades: possuir o certificado de Boas Práticas de Fabricação emitido pela ANVISA o qual exige certificação da matéria prima do implante, certificação da qualidade no processo seguindo as normas da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, de acordo com o implante fabricado, assistência técnica quando envolver o uso de equipamentos específicos, capacitação profissional e treinamento. Todos estes regulamentos técnicos são descritos na Resolução RDC 16/2013 emitida pelo Ministério da Saúde.

Distribuidor

O distribuidor deverá cumprir os requisitos da resolução citada no que couber. São eles: armazenamento e administração de materiais, mão de obra especializada, transporte adequado e distribuição do produto.

Hospital

O hospital, por sua vez, possui as seguintes funções específicas na gestão desses dispositivos: cumprir a legislação vigente para o armazenamento e rastreabilidade dos dispositivos utilizados nos procedimentos realizados no hospital, esterilização de implantes e instrumentais necessários para implantação dos mesmos, gestão de equipamentos em comodato, controle de infecção hospitalar que impacta profundamente nas cirurgias de re-operações e troca de implantes.

Médico

Em relação às etapas, configura uma responsabilidade do médico o procedimento médico-cirúrgico, o qual carrega uma série de outras exigências que cada material necessita, assim como toda a bagagem teórico-prática que o profissional possui.

Pagador

Logicamente, ao pagador resta o pagamento. Nesse ponto é importante ressaltar a importância dos mecanismos de controle éticos e legais que garantam a transparência dessa etapa para evitar qualquer tipo de operação ilícita.

A importância da eficiência na gestão de OPME / DMI para os Planos de Saúde e Hospitais

Planos de Saúde e Hospitais são os principais interessados em uma gestão eficiente que traga impactos positivos. Diante disso, é importante lembrar que os objetivos da instituição hospitalar na gestão de OPME / DMI devem ser:

  • Segurança do paciente;
  • Eficiência operacional;
  • Redução de desperdício e variabilidade;
  • Relações comerciais e técnicas harmoniosas;
  • Oferecer uma boa relação custo benefício para os materiais;
  • Eliminação do risco de glosas/atrasos no faturamento;
  • Inspirar confiança e resolubilidade; e
  • Ser uma instituição economicamente viável.

Além de prestarem serviços de Saúde à população, as instituições hospitalares e operadoras de planos de saúde estão inseridas também em uma dinâmica mercadológica, sujeitas a variações internas e externas, como qualquer organização. Portanto, é preciso lembrar que a gestão deve sempre equilibrar a qualidade com a viabilidade econômica, buscando soluções inovadoras que tragam um crescimento harmonioso.

Ser capaz de realizar uma gestão eficiente de OPME / DMI é um desafio para as instituições e seus gestores. Portanto, há sempre a necessidade constante de aperfeiçoar os conhecimentos na área e estar seguro daquilo que está sendo realizado.

Os cursos de Gestão em OPME / DMI da Qualirede, são essenciais para essa qualificação, garantindo o domínio de todas as práticas que envolvem a utilização desses equipamentos tão importantes para a Saúde.

Aprendendo com quem sabe

Nossos cursos são ministrados pela nossa enfermeira, Débora Soares, que é:

  • Especialista em OPME/DMI e Avaliação de Tecnologias em Saúde há mais de 15 anos;
  • Membro Fundadora de Câmaras Técnicas de Negociação de OPME/DMI no Estado do Paraná, Mercosul e Nacional;
  • Membro do GT-OPME da ANS – Grupo Técnico da Agência Nacional de Saúde Suplementar.
  • Mestre em Tecnologia em Saúde e Especialista e Administração em Saúde pela PUC/PR;
  • Especialista em metodologia do ensino superior pela FESP;
  • Membro do GEPADES da UFSC;
  • Vice-Presidente da ABEA – Associação brasileira de enfermeiros auditores (2015-2019);
  • Presidente da SPEA – Associação Paranaense de Enfermeiros Auditores Biênios 2009-2010 e 2013-2014.
  • Co-autora dos livros Fronteiras da Auditoria em Saúde:

– Vol. I (2008) – Capítulo 11 (pag. 139-147): O Papel do Enfermeiro Auditor no Processo de Auditoria em Saúde;

–  Vol. II (2009) – Capítulo 19 (pag. 179-188): Auditoria Especializada em OPME;

 

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