Cirurgia bariátrica: fazer ou não?

6 de dezembro de 2019
Cirurgia bariátrica: fazer ou não?

No mundo cada vez mais agitado e dinâmico em que vivemos, uma característica parece ser geral: queremos tudo o mais rápido possível. Assim, é quase comum que as pessoas procurem informações on-line antes de se consultarem com médicos, o que pode ser benéfico caso optem por boas fontes. O advento da comunicação e o sentimento coletivo de pressa no dia a dia acabam por incentivar “receitas”, dicas e caminhos que encurtam o caminho para nossos objetivos. Assim, popularizou-se e, principalmente, banalizou-se a prática da cirurgia bariátrica nos últimos anos como forma mais “rápida” e eficaz de se perder peso num curto período de tempo. Mas, o quão necessário e benéfico é este procedimento?

No que consiste?

A cirurgia bariátrica se subdivide em três tipos, e todas induzem o corpo ao emagrecimento em pouco tempo. O emagrecimento depende do tipo da cirurgia. O procedimento restritivo consiste na redução do tamanho do estômago. Com o órgão menor, o paciente sente-se satisfeito com menos alimentos ingeridos, graças à diminuição estomacal. Já a cirurgia bariátrica disabsortiva, procura fazer desvios no percurso do intestino delgado, que, mais curto, absorverá menos os nutrientes e calorias do alimento – assim, novamente, o corpo emagrece. A priori, não é mais realizada exatamente desta forma, sendo mais comum que o médico utilize também a redução estomacal.

Já a cirurgia bariátrica de técnica mista é a mais feita no Brasil e no mundo, por ser considerada a mais segura, já que mistura técnicas e balanceia a absorção de nutrientes pelo corpo e a sensação de estar saciado com pouca comida. 

Alta procura da cirurgia bariátrica não é coincidência

No Brasil, a popularização da cirurgia bariátrica não advém apenas da procura pelo emagrecimento em pouco tempo. Segundo a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada na metade de 2019, o Brasil fechou o ano passado com quase 20% da população obesa. Desse montante, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Metabólica e Bariátrica (SBCMB) estima que 13,6 milhões de brasileiros estejam necessitados do procedimento cirúrgico. 

Mas, apesar do alto número de pessoas que ainda não realizaram a cirurgia bariátrica, o Brasil se destaca como um dos países que mais faz o procedimento. Ainda segundo a SBCMB, foram quase 64 mil cirurgias em 2018, um aumento de 85% em relação a 2011. 

Bariátrica nem sempre é a solução

Esses números expressivos provam que o procedimento é extremamente importante e necessário para quem quer mudar de corpo definitivamente, correto? Não necessariamente.

Existem diversos fatores entre o paciente obeso e o que o coloca em tal situação. Tomemos, por exemplo, alguém que possui uma relação psicologicamente conturbada com alimentos, e acaba tornando o ato de comer em um vício. A realização da bariátrica fornecerá, por alguns meses ou anos, um emagrecimento significativo. Entretanto, caso a compulsão do paciente não seja devidamente tratada, as chances do mesmo voltar à condição obesa anterior é alta, fazendo com que o procedimento e o dinheiro gasto pela prestadora sejam em vão. Outros fatores, como predisposições genéticas, também podem ser complicadores no processo da redução de estômago ou intestino, uma vez que os próprios genes do paciente continuarão predispostos à obesidade.

É preciso, então, analisarmos muito bem a prática da cirurgia bariátrica e, apesar de sua popularidade, repensar em sua real necessidade. É buscando este que a Qualirede aposta numa Atenção Primária altamente capacitada para identificar e tratar as condições dos pacientes sem a necessidade de interferir na sua qualidade de vida e buscando garantir que os procedimentos cirúrgicos ou laboratoriais sejam realmente indispensáveis. 

Assim, com as Clínicas de Atenção Primária da Qualirede, é possível que o paciente consiga ser orientado a tratamentos tão eficazes quanto, porém menos custosos e invasivos.

Mas, como isso é possível?

Outras opções

Antes de se jogar na bariátrica, é preciso que o paciente tenha em mente que perder peso vai muito além da estética, tendo a qualidade de vida como principal ganho. Conscientizá-lo desse fato é o primeiro passo do Médico de Família numa clínica APS da Qualirede. 

A partir daí, o profissional, munido de todo o histórico e confiança do paciente, traça um perfil que identifica a relação dele com o próprio corpo, com o hábito de  alimentar e diversas outras características psicológicas e genéticas que influenciam na melhor forma do paciente perder peso. E a bariátrica não é, de fato, a única opção.

O controle e monitoramento da alimentação, bem como a prática constante de exercícios físicos, trazem resultados tão efetivos quanto os procedimentos cirúrgicos, de forma muito mais saudável, conferindo maior qualidade de vida e benefícios em diversos sistemas do corpo, como o respiratório e o circulatório. 

Para incentivar essas práticas constantes e rotineiras, a Qualirede também dispõe dentro do modelo de atenção primária, equipes capacitadas para realizar o acompanhamento do tratamento do paciente diretamente na sua residência, prestando auxílio no que for necessário e se assegurando que a prática do autocuidado em saúde está sendo executada corretamente. Isso confere mais saúde e previne maus hábitos, evitando, assim, que o quadro de obesidade retorne por diferentes motivos.  

Como controlar gastos quando a cirurgia bariátrica é realmente necessária?

Já em casos onde a cirurgia bariátrica é realmente necessária, a mesma equipe também auxilia em todos os cuidados necessários. A recuperação do procedimento é longa e delicada, durante pelo menos seis meses. Nesse período, é possível sentir enjoos, náuseas, vômitos e dores no abdômen. 

Todo cuidado é necessário para que o paciente tenha uma recuperação exitosa, evitando regressão do quadro ou complicações que resultem em reinternações. Nesse contexto, as equipes de atendimento remoto garantem que tudo está correndo bem com o paciente, incentivando o autocuidado.

Independente dos motivos pelos quais o paciente procure pela cirurgia bariátrica, notar todos esses pormenores, situando o paciente em sua jornada pelo sistema de saúde sem que se tome decisões precipitadas e procedimentos excessivamente invasivos sem necessidade. E é isso que a Qualirede defende: mais saúde para mais pessoas, sempre com mais qualidade, eficiência e resultados.

Publicações recentes

    1 comment

  • Reply

    Eu fui submetida a cirurgia há 5 anos a nível de saúde e não de estética, mais após a realização da cirurgia somos abandonadas pelos profissionais, e sabendo eles a série de complicações que o paciente enfrenta, mais a ambição é grande por dinheiro que torna mais ainda em uma cirurgia complicada e gera mais gastos ainda aos planos.

  • Deixe seu comentário