Todos conhecemos alguém que já teve caxumba, seja no âmbito familiar ou no círculo social. A virulência de seu agente etiológico provoca surtos epidêmicos de maneira recorrente. Isso somado a conhecimentos acerca das complicações da doença causam preocupação e um estado de alerta na população.

A caxumba ou papeira ou trasolheira é tecnicamente conhecida como parotidite infecciosa por ser uma doença que provoca importante inflamação da parótida, uma glândula salivar que fica posicionada na lateral do rosto (vide imagem). A inflamação provoca dor localizada, rubor, inchaço, dor para mastigar e febre baixa (< 38,5 °C).

O agente etiológico é um vírus da família Paramixovirus, que fica 1-2 semanas incubando no organismo e em seguida se manifesta com o quadro supracitado. O período de maior infectividade e, logo, possibilidade de contágio é nos 5 primeiros dias após a manifestação clínica.

No ano de 2016, observamos aumento de casos em vários estados. Considera-se surto quando mais de 4 pessoas do mesmo convívio adquirem a mesma doença. Em São Paulo, o número de surtos obteve aumento de 1.193% em relação ao ano passado. Em Goiânia, Recife e Salvador, que em 2015 não tiveram surtos, apresentaram, respectivamente, 6, 24 e 16 surtos. Em Santa Catarina, o maior número de surtos foi em Joinville com 13 notificados durante o inverno. O número total de casos isolados não é conhecido, pois em fevereiro de 2016 o Ministério da Saúde determinou que somente os surtos sejam notificados.

A melhor maneira de evitar a caxumba é através da vacinação aos 12 e 15 meses de vida. Caso uma pessoa seja afetada, ela não deve comparecer à escola ou ao trabalho durante pelo menos 9 dias após início da doença, para garantir. É preciso, ainda, desinfectar os objetos contaminados com secreções do nariz, boca e da garganta do enfermo. Para garantir, consulte com o profissional de saúde que lhe atende a regularidade da sua cartilha de vacinação e assegure a proteção contra diversas doenças infecciosas. Como vimos, a negligência com a vacinação pode trazer consequências graves à saúde.

Dr. Fábio Tabalipa

Médico da Equipe de Atenção Integral à Saúde

 

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. Caxumba. Disponível em: <https://portalsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/svs/caxumba>. Acesso em: 12 dez. 2016.

SANTA CATARINA. Secretaria de Estado da Saúde. Diretoria de Vigilância Epidemiológica. Disponível em: <https://www.dive.sc.gov.br/>. Acesso em: 12 dez. 2016.

TEMPLER, J. W. Parotitis Treatment & Management. Coauthor(s) Benjamin Daniel Liess. Specialty Editor Board Francisco Talavera. Chief Editor Arlen D Meyers. Additional Contributors Ted L Tewfik. Disponível em: <https://emedicine.medscape.com/article/882461-treatment>. Acesso em: 12 dez. 2016.

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