O avançar da idade acrescenta importante bagagem ao ser humano. Os anos a mais de vivência trazem amadurecimento e experiência. No entanto, diferentes pessoas podem acolher o envelhecimento de diferentes maneiras, seja por questão de doença, impacto emocional ou até vaidade. Por questões socioculturais, os homens sentem menos o impacto estético do envelhecimento do que as mulheres. Contudo, quando o assunto abrange a libido, a preocupação aumenta, tanto que as queixas de disfunção sexual surgem em até 40% da população masculina acima dos 40 anos. Portanto, é necessário que os homens entendam as alterações fisiológicas que ocorrem com a idade e reconheçam as queixas de disfunção sexual para que envelheçam com qualidade de vida.

Fisiologicamente, os níveis do principal hormônio masculino em circulação, testosterona, apresentam redução abrupta na faixa-etária dos 40 aos 55 anos. O impacto desta redução é variado, podendo ser desde totalmente assintomática até provocar problemas como fadiga, sonolência excessiva, irritabilidade e redução da libido. Este fenômeno circula na mídia com o nome de “Andropausa”, remetendo às alterações que acontecem com as mulheres, e já foi reconhecido tanto pela Sociedade Brasileira de Urologia quando pelo Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, como entidade nomeada Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM).

A disfunção sexual é um termo mais amplo, que abrange deficiência nos diversos estágios da atividade sexual:

– Fase de desejo: disfunção de libido;

– Fase de excitação: disfunção erétil;

– Fase de orgasmo: disfunção ejaculatória.

Para todas estas disfunções, há causas emocionais e causas orgânicas. No caso da disfunção de libido, a causa orgânica seria a DAEM, que, quando identificada, deve ser trada com reposição hormonal por profissional habilitado. São, no entanto, as causas emocionais que predominam e devem ser igualmente abordadas.

Dentre as causas de baixa libido masculina emocional, estão entidades como depressão maior, ansiedade generalizada e esgotamento, além de inadequação do casal. Todos estes transtornos podem ser abordados por psicoterapia individual ou em casal e, quando necessário, uso de medicação.

É de suma importância que a disfunção de libido seja precocemente reconhecida e tratada, pois, afinal, representa a primeira etapa da atividade sexual que, quando deficiente, prejudica as demais. Além disso, a própria disfunção sexual agrava os transtornos emocionais, provocando um efeito cumulativo.

Abandone a ideia conformativa de que ter baixa libido é normal da idade. Se você sofre com isso, procure ajuda profissional, pois resolver este assunto pode ditar a maneira com que você acolherá o envelhecimento.

Fábio Tabalipa

CRM-SC 20073

Médico da Equipe de Atenção Integral à Saúde

Fontes:

Sociedade Brasileira de Urologia. Andropausa / Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM). 2015. Disponível em: https://portaldaurologia.org.br/medicos/doencas/andropausa-deficiencia-androgenica-do-envelhecimento-masculino-daem/

Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. O que é Andropausa? Disponível em: https://www.endocrino.org.br/o-que-e-andropausa/

Cunningham GR, et al. Overview of male sexual dysfunction. Uptodate, 2016.

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