A IMPORTÂNCIA DA GESTÃO DE CUSTOS ASSISTENCIAIS RELACIONADA ÀS DOENÇAS CRÔNICAS

20 de março de 2020

Estamos compartilhando periodicamente, em nosso blog, os artigos científicos produzidos por nossa equipe de especialistas. São trabalhos que contribuem significativamente para o setor de saúde, muitos deles, inclusive, foram premiados. Confira o artigo de hoje: 

 

As doenças crônicas não transmissíveis compreendem um dos maiores problemas no contexto da saúde, pois geram, em curto-médio-longo prazo, incapacidade e sofrimento, além do impacto econômico para a sociedade. Entre elas, estão doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial sistêmica e insuficiência cardíaca, doenças renais, diabetes mellitus e câncer. Neste cenário, é importante refletir sobre a gestão de custos assistenciais relacionados a essas doenças.

 

A saúde suplementar oferece cobertura para 27% da população, e uma estratégia utilizada para uma melhor gestão de custos é o gerenciamento dos casos e o desenvolvimento de ações preventivas com os grupos de portadores de doenças crônicas.

 

Para aprofundar mais esta questão, a Qualirede realizou um estudo junto a um plano de saúde do Sul do Brasil, com o objetivo de apresentar o perfil de beneficiários deste plano com doença crônica monitorada e relatar a experiência de gestão de custos assistenciais relacionados a este grupo. 

 

Doenças crônicas e a relação com a gestão de custos assistenciais

 

Como metodologia, foi realizado um estudo transversal relacionado ao acompanhamento e monitoramento de 13.441 beneficiários com doença crônica, no período de um ano (08/2018 a 07/2019), e à gestão de custos assistenciais relacionados a eles. Os dados foram obtidos a partir de registros eletrônicos da utilização do plano de saúde e respectivas despesas assistenciais. Foram utilizadas as seguintes variáveis:

 

  • Categorias de beneficiários: beneficiários identificados com doença crônica e em acompanhamento e monitoramento pelo plano de saúde. Foram selecionados quatro grupos, conforme presença de doença crônica – obesidade, hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus, cardiopatia e doença pulmonar obstrutiva crônica;

 

  • Custos assistenciais: dados relacionados ao custo assistencial, demandado por cada grupo de beneficiários, conforme doença crônica;

 

  • Características dos beneficiários: sexo, faixa etária. Realizada análise estatística descritiva simples de números e percentuais.

 

A maioria dos beneficiários com doença crônica que participaram do estudo eram do sexo feminino, sendo 54% feminino e 46% masculino.

Em relação ao grupo de utilização dos beneficiários e representatividade de custo:

 

  • 23% custos com SAD
  • 19,92% em medicamentos
  • 10,58% com diárias e taxas
  • 10,01% com OPME
  • 8,94% em consultas
  • 8,02% em honorários médico-cirúrgicos
  • 7,85% pacotes
  • 4,52% em honorários médico-clínicos
  • 3,73% com materiais
  • 2,08% para outros profissionais de saúde
  • 0,19% com remoção
  • 0,19% para atenção domiciliar

 

O que podemos concluir na relação entre doenças crônicas e gestão de custos?

 

A partir do estudo realizado pela Qualirede, conclui-se que o perfil de beneficiários com doenças crônicas monitorados pelo plano de saúde é comparável ao observado nas estatísticas nacionais e internacionais. É possível observar também que a obesidade é a principal comorbidade associada às doenças crônicas e está presente em todas faixas etárias.

 

O gerenciamento de casos permitiu que os custos com essa população permanecessem estáveis e possibilitou a melhora da gravidade da doença em 3,65%. Neste sentido, o investimento em ações de prevenção e promoção da saúde, voltadas à Atenção Integral em Saúde e Atenção Primária à Saúde, são fundamentais para gestão de custos relacionados à assistência de beneficiários com doenças crônicas.

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